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Garotos da Vila fundam o União Skina em 1970

14/06/2015
Araraquara / SP
Tetê Viviani
Foto: Tetê Viviani/arquivo

Primeiro de junho de 1970, um grupo de garotos da Vila Xavier que jogavam descalços no mangueirão, um terreno no fim da Avenida 22 de Agosto esquina com a Rua Padre Luciano, ao lado dos prédios do Gravina decidem calças chuteiras e evoluírem para os gramados oficiais.

Da reunião na calçada da Avenida Carlos Batista Magalhães esquina com a Rua Bento de Barros (a antiga Rua do Tesouro) surgiu o União Skina Esporte Clube. Os fundadores todos menores de idade – Mário Augusto Viviani, Benedito Reginaldo Viviani (Tetê), Carlos Roberto Argente (Zó), José Roberto Alves (Betão), Marcos Cumpri (Marcão) elegem o ferroviário Odilon Ferreira na presidência do clube, sem nem o mesmo saber de tal fato.

Primeiro ato: uma rifa para compra do primeiro uniforme. Um LP dos Beatles é ofertado com adesão imediata dos colaboradores. O clima da Copa de 70 alimentava o entusiasmo dos jovens. O primeiro fardamento foi comprado a preço de liquidação na extinta Loja do Brondino, na Avenida São Paulo ao lado da farmácia do Herculano Raia.

Camiseta branquinha com uma faixa vermelha diagonal. “Lembrava o Peru, do craque Cubillas da Copa de 70”, recorda Tetê Viviani, um dos fundadores do Skina.

A euforia durou pouco, na estreia em campo grande, no fim de junho com o Brasil inteiro comemorando o Tri, os meninos da esquina perderam para o experiente Olaria, da estação, por 4 a 0. Mais decepção aconteceu na primeira lavada do uniforme. A faixa vermelha desbotou e as camisetas ficaram todas manchadas e ainda não havia números nas costas.

 

Ousadia ao encarar os grandes

Uma boa conversa com o presidente da Associação Atlética Ferroviária, o ferroviário Alencarliense Rodrigues, e o União Skina consegue engrossar o quadro associativo do clube da Estrada de Ferro. “Arrumamos 20 associados e conseguimos a contrapartida de jogar uma vez por semana no campo da Atlética. Preferencialmente aos domingos de manhã, às 9h, ou à tarde, às 16h dependendo da tabela do Campeonato Amador e do mando de jogo da Atlética. O acordo prosperou e nunca faltou adversário disposto a encarar o Skina no histórico estádio da Atlética”, conta Viviani.

O atleta Mário Augusto ex-funcionário da Fábrica de Carimbos Araraquara confecciona o distinto do clube e o volante Beni doa um uniforme completo trazido do Rio de Janeiro pelo patrão Olavo Pereira de Cordis. Outro avanço foi a filiação à Liga Araraquarense de Futebol, Federação Paulista de Futebol e Liga Araraquarense de Futebol de Salão.

O União Skina tinha elenco jovem e ousado para enfrentar os grandes clubes da região. A estreia em torneios oficiais ocorreu em 1971, no Estádio Municipal quando empatou com o Grêmio da Polícia Militar no torneio em homenagem ao jornal Imparcial.

Participações em amistosos nas fazendas e cidades da região, torneios, campeonato varzeano, dente de leite, juvenil, futsal foram constantes nas décadas de 70 e 80, completa Tetê Viviani.

Brincadeiras dançantes

Com o intuito de arrecadar dinheiro para manter o clube, os diretores promoviam brincadeiras dançantes em salões alugados. As primeiras foram no salão da Atlética, ao lado do campo, depois no Canil na Vila Xavier, Estância Uirapuru, Santana, Gramophone e Nipo Brasileira, na Avenida José Bonifácio e no Internacional de Santa Lúcia.

O som exclusivo do Chico Som, da Vila Velosa, era garantia de casa cheia. “Ele foi o DJ pioneiro da cidade. Tocava um baile inteiro só com vinil e poucos equipamentos, mas tinha qualidade musical variada”, afirma Tetê ao lembrar bailes inesquecíveis.

Driblando a censura

Outra fonte de renda do União Skina, que chegou a contratar atletas de rivais do amador, no início da década de 80, eram as sessões de cinema com filmes picantes e bingo na sede provisória do clube na Rua Barão do Rio Branco.

Os ingressos eram vendidos sigilosamente nos bares da Vila Xavier. As exibições dos filmes super 8mm adquiridos na Praça da Sé em São Paulo ocorriam no porão da sede. A mesa do projetor tinha um fundo falso. Caso houvesse algum contratempo com as autoridades, o filme erótico poderia ser trocado por um filme livre de aventura sem problemas. Um vigia atento ficava em frente à sede do clube para qualquer eventualidade.

Após a exibição do filme, a diretoria promovia rodadas de bingo para reforçar a renda.

Patrimônio

Com bailes, cinema, bingos e outras atividades, o clube comprou oito mil metros quadrados de terra na Chácara Flora. Em seguida, a diretoria conseguiu uma cessão em comodato de 10 mil m² de área atrás do Tiro de Guerra na Vila Xavier. O autor da propositura foi o prefeito Waldemar de Santi e o prazo de duração foi de 20 anos. A Câmara aprovou em decurso de prazo após muitos embates políticos. O vereador Rubens Bellardi Ferreira, defensor do Skina, chamou companheiros de Câmara de traidores e teve até sessão suspensa por falta de segurança.

As terras da Flora foram vendidas e aplicadas na nova sede da Rua Bahia, ao lado das torres de televisão. Atualmente o imóvel está de posse da Associação Cultural Amigos Afrodescendentes de Araraquara e Região.

 Conquistas

O título mais importante do clube foi o Campeonato Amador de 1983. Na emocionante final, O União Skina venceu o Dema por 4 a 2. Outro título importante foi o Campeonato Juvenil “Wilson Silveira Luiz” em 1982 contra a Associação Ferroviária de Esportes, que ficou com o vice.

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