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A rivalidade Senna-Prost

04/01/2016
Araraquara / SP
Jonas Bezerra

Uma das maiores rivalidades da história da Fórmula 1 contada em três atos

1984, o começo

A história de uma das maiores rivalidades da Fórmula 1, começa em 1984, temporada que entrou para a história da competição como a mais acirrada de todos os tempos. O piloto francês da McLaren, Alain Prost, perdera o campeonato para o seu companheiro de equipe, Nikki Lauda, por meio ponto. O austríaco conquistava assim o seu tricampeonato com 72 pontos, contra 71,5 de Prost.

No entanto, o piloto francês poderia ter sido campeão se no GP de Mônaco, o sexto da temporada, ele não tivesse pedido pela interrupção da prova por causa da chuva, o que foi prontamente acatada por toda a direção de prova, formada por franceses, entre eles o seu amigo Jean-Marie Balestre, presidente da FISA (Federação Internacional de Automobilismo Esportivo) de 1978 a 1991.

Com a interrupção, ele venceria a prova e recebia somente a metade da pontuação: 4,5. Na época, marcavam pontos somente os seis primeiros colocados, assim sucessivamente: 9, 6, 5, 4, 3, 2, 1.

Acontece que o um certo piloto de uma pequena equipe, a Toleman, começava mostrar sua cara e se tornar o arquirrival de Prost nas temporadas seguintes. Em sua estreia em Mônaco, largando na 13ª posição sob chuva, Ayrton Senna fez uma corrida formidável.

Respectivamente, o novato piloto brasileiro deixou para trás, nas estreitas ruas do Principado, grandes pilotos da época. Entre eles: Nelson Piquet, Dereck Warwick (bateu), Patrick Tambay (bateu), Élio de Angelis, Jacques Laffite, Michele Alboreto (bateu), Keke Rosberg, René Arnoux, Nikki Lauda e Nigel Mansell (bateu).

Na segunda posição, Senna fora à caça de Prost que estava a 35 segundos de vantagem. Na 32ª volta, quando havia sido ultrapassado por Senna, o piloto francês parou a poucos metros da linha de chegada, a direção de prova decide que o término da prova acontecera uma volta antes, na 31ª, dando a vitória a Prost. Inicia aí uma das maiores rivalidades da Fórmula 01.

1988, o ápice

Depois da Toleman, Ayrton Senna conquistou sua primeira vitória em 1985, Estoril (POR), já na Lotus. Em 1988, o piloto brasileiro faz sua primeira temporada na McLaren, ao lado seu agora companheiro, Alain Prost. Senna conquista o seu primeiro título mundial, com oito vitórias e faz 13 poles em 16 corridas. Prost, que já era o atual bicampeão mundial, fica com vice-campeonato.

Na temporada seguinte, o campeonato vinha equilibrado com Prost e Senna brigando a cada etapa pelo título. Em outubro, no Circuito de Suzuka (JAP), o piloto brasileiro precisava vencer e levar a decisão para a última etapa, o Grande Prêmio da Austrália. Caso não completasse a prova, Prost seria o campeão.

Nas voltas finais da corrida - restando cerca de 5 ou 6 -, Senna força a ultrapassagem em Prost por dentro da chicane, na antepenúltima curva antes da reta dos boxes. Prost, percebendo a manobra do piloto brasileiro, joga propositalmente seu carro em cima dele. Os dois batem e ficam parados na chicane. Prost sai do carro, mas Senna insiste em continuar. Os fiscais de prova ajudam Senna a voltar, empurrando o carro pra trás, e depois pra frente, na direção da chicane.

Aí começa a polêmica e entra em cena, o presidente da FISA, Jean-Marie Balestre: Senna volta à pista pela chicane, o que seria proibido por se tratar de um atalho, mas o regulamento não deixava isso tão claro, pois não especificava exatamente em quais condições. O carro de Senna estava em uma posição que impossibilitaria a passagem dos outros pilotos por aquele trecho. No final, Senna vence a corrida mas nos bastidores é desclassificado. Balestre dá o campeonato ao conterrâneo e amigo Prost, agora tri.

Numa entrevista no jornal francês L’Équipe, em novembro de 1996, pouco mais de dois anos da morte de Senna, o ex cartola francês confessa que prejudicou intencionalmente o brasileiro, em 1989. (saiba melhor, assista ao vídeo acima)

1990, o troco

Com Prost na Ferrari, Senna tinha Gerhard Berger como o novo companheiro de equipe. Mas, rivalidade Senna-Prost se estendeu também naquela temporada e mais uma vez o Circuito de Suzuka (JAP) entraria para a história da Fórmula 1, com os dois na disputan de mais um título mundial. Desta vez, a vantagem era de Senna. Prost tinha que vencer, pois a diferença de 9 pontos (78 a 69) fosse mantida, Senna seria campeão por ter mais vitória.

Durante todo o final de semana, Senna fez vários pedidos para alterar a posição do grid, porém o homem forte da FISA e seu desafeto, Jean-Marie Balestre, negou. O piloto brasileiro fez a pole-position e largaria no lado mais sujo da pista. Prost largou em segundo e o seu companheiro de equipe, Nigel Mansell, em terceiro.

Talvez esta tenha sido a decisão mais aguardada da história da Fórmula 1. Cerca de 150 mil pessoas estavam acomodadas nas arquibancadas do Autódromo de Suzuka e milhões acompanhavam pela TV. Com 26 carros no grid. Senna largou mal e perdeu a ponta para Alain Prost. Na primeira curva, Senna buscou um espaço impossível e colocou o carro por dentro. Prost fechou a porta e os dois se chocaram a mais de 200km/h. Prost saiu rodopiando e parou na caixa de brita. Senna seguiu reto até bater na barreira de pneus com força. Fim de prova para os dois. O mundo esperava que viesse a bandeira vermelha, mas ela não veio e a corrida seguiu. Senna era bicampeão mundial.

A etapa teve dobradinha brasileira: Nelson Piquet em 1º e Roberto Pupo Moreno e 2º, ambos pilotos da Benneton-Ford. A turma da Oficina Camber, em Brasília, comemorou.

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Comentário(s) - 1

Michel Martins.
Publicado em: 05/01/2016 - 08:31:47

Uma história verdadeira e fantástica.

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