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Ele é carioca, vive em Portugal e ama a Ferroviária

14/02/2016
Araraquara / SP
Fernanda Helene
Foto: Fernanda Helene/Ferroviária

Quem poderia imaginar que ao entrar numa barbearia no Rio de Janeiro para cortar o cabelo aos dez anos de idade, nasceria um torcedor apaixonado pela Ferroviária.  Enquanto folheava a revista “O Cruzeiro”, publicação histórica, o então menino Antonio Carneiro Bélier viu uma reportagem que mudou a sua vida. 6 a 3 em cima do Botafogo de Ribeirão Preto. Um ataque fulminante de um time que ele nunca mais esqueceu. “Paulinho, Cardoso, Bazani, Gomes, Boquita”, destaca. O jogo que marcou em 1955 o primeiro acesso da Ferroviária à primeira divisão. Foi amor à primeira vista.  Faz questão de lembrar também do centroavante Parada, aparentemente seu preferido, de Faustino, Tales, Dudu, Galhardo, Peixinho, ídolos inesquecíveis. E do timaço de 1959, que chegou ao 3º lugar do Paulista, lembrada como a melhor campanha na história da Ferroviária.   

Desinteressado do futebol carioca, Bélier preferia as disputas paulistas. “No Rio de Janeiro só os times grandes ganhavam, sempre os mesmos se destacavam, então comecei a acompanhar o campeonato paulista por ser mais competitivo”, conta. Filho de portugueses, tinha uma certa afinidade com o Vasco, e o pai era torcedor do América carioca, mas faz questão de deixar claro: “meu time sempre foi a Ferroviária”.        

Nas lembranças gloriosas do clube do coração, destaca a excursão afeana pela Europa em 1960. Foram 20 jogos, 2 empates e apenas 1 derrota em terras estrangeiras. A vitória mais marcante, 2 a 0 no Estádio das Antas em Portugal em cima do Porto, invicto até então a 48 partidas. O feito chamou atenção da imprensa europeia. “Os jornalistas portugueses elogiavam a Ferroviária”.

No mesmo ano, 1960, Bélier viu em campo pela primeira vez a AFE jogar. Foi no Maracanã num amistoso contra o poderoso Fluminense. Perdeu lá por 3x0, mas ganhou depois em casa por 5x1.

Na memória também estão bem vivas as conquistas de 1967, 1968 e 1969, que renderam à Ferroviária o título de tricampeã do interior e, na mesma década de ouro, o marcante jogo contra o Napoli, em 1968. 4 a 0 em cima dos italianos, que, na mesma excursão no Brasil, havia empatado por 1 a 1 contra o Coritiba, a Ponte Preta e o Palmeiras. A goleada abalou a viagem e não foi fácil explicar a derrota na volta à Itália.          

A paixão era tanta que, de longe, o carioca dava um jeito de sintonizar em ondas curtas e ouvir os jogos transmitidos pela Cultura. “Quando jogava à noite pegava bem, mas de dia era difícil”, recorda. Montou uma antena especialmente para ouvir as partidas. Passou também a se corresponder com o pessoal de rádio da época, Dorival Marcondes Machado, Wilson Luiz, amigo até hoje, Dorival Falconi, Rubens Brunetti, Wagner Bellini.         

Já nos anos 1970, mas precisamente em 1971, veio a Araraquara pela primeira vez para ver a Ferroviária jogar pelo Campeonato Paulista. A partir daí não parou mais de visitar a cidade e até comprou um imóvel por aqui para reforçar o vínculo com a Ferroviária. Está tentando convencer os filhos, que também moram em Portugal, a voltar para o Brasil, de preferência para viver em terra afeana, coisas que só uma grande paixão explica.

O time de 1985 da AFE, que chegou à semifinal do paulista e ficou em quarto, também tem um significado especial para Bélier. No mesmo ano, ele mandou confeccionar um jogo de botão inspirado no time e venceu com ele um campeonato interno da Petrobrás, empresa que trabalhava na época. O mesmo jogo também serviu para ele disputar a liga carioca de botão.

No período difícil da Ferroviária, ele começou a publicar os poemas que escrevia inspirados no time. “A Ferroviária é o time com maior acervo literário que existe”, orgulha-se. Hoje já são mais de 500 poemas, que podem ser acessados pela internet em www.poemafeano.blog.com; www.poemafeano.wordpress.com; ewww.afenet.com.br, este último de Paulinho Vidal.

O jogo do acesso daquele sábado, 18 abril, inesquecível, assistiu pela internet, reunido com os alunos na escola em que dá aulas em Portugal. Para comemorar, ele que não bebe, brindou com um cálice de vinho do Porto, bebida tradicional no país.   

Do time atual da Ferroviária, Bélier, que estava em Araraquara até este sábado (13), assistiu às duas primeiras partidas, contra o Mogi Mirim e depois, o Rio Claro. Gostou do que viu das cadeiras da Arena da Fonte. “É um time com padrão de jogo definido, bola no chão, que faz as transições de forma compacta”, analisa. Otimista e ambicioso, como ele próprio se define, diz convicto que “o lugar da Ferroviária e na série A do nacional”. E responde: “o que encanta no futebol é a magia, a imprevisibilidade”. Então, tudo é possível.     

Inspiração afeana

As publicações do poeta e escritor Antonio Carneiro Bélier podem ser acessadas em www.poemafeano.blog.com; www.poemafeano.wordpress.com; ewww.afenet.com.br. Ele também é colunista do site oficial da AFE.

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