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“O tempo passa, crepúsculo de jogo...”

20/08/2015
Araraquara / SP
Tetê Viviani
Foto: Reprodução internet

“Abre-se as cortinas e começa o espetáculo com a bola rolando no tapete verde e a cobertura de um céu azul anil”, desse modo o locutor Fiori Gigliotti (1928-2006), de Barra Bonita, narrava com emoção as partidas de futebol para delírio dos torcedores de todos os clubes.

Único profissional do rádio a participar de dez Copas do Mundo, Fiori Gigliotti esteve inúmeras vezes no Estádio Fonte Luminosa e outras incontáveis no Estádio Municipal “Tenente Siqueira Campos”, na Rua Humaitá, ao lado do Cemitério São Bento. No prefixo da Rádio Bandeirantes atuou por 38 anos.

Mas teve um dia que Fiori viveu a Araraquara de uma forma intensa com esposa Adelaide e o filho Marcelo. Exatamente no dia 13 de abril de 1998, quando recebeu o título de Cidadão Araraquarense.

Giro na terra do sol

Por volta da 7h30, o hospede ilustre Fiori desceu do primeiro pavimento ao salão do Hotel Municipal, na esquina da Rua São Bento com a Avenida Portugal, para tomar café. Leu rapidamente os jornais locais e iniciou o tour.

A fábrica de meias Lupo foi a primeira visita da comitiva de Fiori, que tinha Paschoal Gonçalves da Rocha como guia. Educado, o porteiro levou o pessoal à sala da diretora presidente e no caminho aproveitou para perguntar sobre o clube preferido do locutor mais popular do Brasil. – Há anos discuto com meu cunhado. Eu acho que o senhor é corintiano e ele teima que é palmeirense. Quem está certo?

Bem humorado. Fiori deixa a dúvida no ar. “Eu torço pelo bom futebol” respondeu atencioso.

Na sala da presidente Liliana Aufiero Lupo, a conversa fluiu com uma simplicidade incrível e apesar de ser um primeiro encontro, a impressão foi de que se conheciam há muito tempo e com muitos pontos em comum.

Em seguida, o roteiro apontava a fábrica Kaiser onde Fiori tirou fotos com funcionários e procurou conhecer os detalhes técnicos da fabricação da cerveja. Na saída, Paschoal lembra que Fiori saiu de mãos vazias por um lapso da recepção. Falha sanada e o porta malas do carro do Fiori, dirigido pelo filho Marcelo, foi carregado de cervejas e refrigerantes.

Na Vila Xavier, na Sala Reminiscências Esportivas do Paschoal, Fiori recordou os craques da era antes da Ferroviária. “Eu vinha de trem narrar os jogos do Paulista, que tinha um centroavante muito bom chamado Laerte. Era forte, alto, sabia proteger a bola, tinha o ponta Maurinho, isso nos anos 1940”,

De passagem pelo Clube 22 de Agosto, Fiori se entrosou rápido com o pessoal da sinuca. Simpatia radiante, Fiori tinha enorme facilidade para conquistar amigos.

Entre uma visita e outra o assunto futebol entrava na pauta. Ronaldo Fenômeno vai estourar na Copa da França? Cético, Fiori via dificuldades para o atacante. “Os beques europeus já estão acostumados a marcá-lo e ele não sabe cabecear”, opinava com naturalidade sem imposições.

À noite, a sabedoria do devorador de textos bíblicos e da cultura mundial encantou o plenário da Câmara Municipal lotado de esportistas e atletas, principalmente das décadas de 60 e 70.

“As conquistas da Ferroviária são inesquecíveis desde os tempos de Dudu, o moço de Araraquara,  Bazani, o Cardoso, que em 1955 marcou sete gols contra o Velo Clube na goleada da Locomotiva, por 15 a 1, estabelecendo um recorde no Campeonato Paulista. Mas tinha o bendito do Pelé, que estragou a festa ao marcar oito gols na vitória do Santos FC sobre o Botafogo, de Ribeirão, por 11 a 0, em 1964”, recorda Fiori.

O ex-presidente da Ferroviária e vereador, à época, Mário Joel Malara pediu desculpas ao Fiori pelo atraso na entrega do título.

Outras 114 cidades já tinham entregues, antes de Araraquara. Ao todo Fiori recebeu mais de duzentos títulos.

“Crepúsculo de jogo, a Ferroviária desce perigosamente pela esquerda com Pio, tabelou com Bazani, cruzou alto, subiu Téia, é fogo, é gooooooool. Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo com a vitória da Ferroviária de Araraquara, o clube mais simpático do interior”.

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