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22 de Agosto - a saga de um grande clube

18/04/2016
Araraquara / SP
Jonas Bezerra
Foto: Jonas Bezerra

Um dos mais tradicionais clubes de Araraquara, o 22 de Agosto, comemorou Jubileu de Diamante neste sábado (16). Várias atividades foram realizadas durante todo o sábado (16), além de um grande baile que contou um grande número de associados e convidados. A animação musical ficou por conta de banda Ases Mania e da dupla sertaneja Felipe Gabriel & Gustavo.

Conhecido como "o mais querido', o Clube 22 de Agosto possui uma completa estrutura com os mais variados serviços aos seus associados. Quadras poliesportivas cobertas, minicampos, quadra de tênis, canchas de bocha, quadra do squash, conjunto aquático, uma completa academia, sala de dança, um lago com muito verde e um restaurante onde acontece os principais eventos sociais do clube.

O 22 de Agosto realiza ainda diversas atividades esportivas como aulas de judô, escolinhas de futebol e de voleibol, além dos campeonatos internos de futebol e o famoso "rachão", que acontecem nas tardes de sábados. 

Breve histórico

Sua história começa no início dos Anos 40, quando a promissora Araraquara tinha apenas 30 mil habitantes. A cidade se destacava com a crescente industrialização fomentada pela ferrovia.

A vida urbana, ainda que pacata, deixava transparecer os sintomas de um comércio diversificado. O avanço das atividades culturais e artísticas espelhavam a valorosa contribuição do trabalho empreendedor da comunidade italiana – entre os nomes de destaques estão Lupo, Barbieri, Michetti, Gravina, Minervíno, Abrita, Storino, Negrini, Picarollo, Lombardi, Longo e Cefaly.

No começo do século, é também criada a “Societá Uniti Italiani”, ou apenas “Sociedade Italiana de Araraquara”, sendo sua base formada pela classe média, com sede na avenida Portugal (outrora Avenida 4). Com o alinhamento do Brasil a favor das potências aliadas, as agremiações italianas tiveram suas atividades suspensas, interditadas ou colocadas sob intervenção e seus bens seqüestrados. O prédio da Sociedade Italiana de Araraquara, construído na primeira década na parte mais central da cidade, mediante cotização dos imigrantes, passou a integrar o patrimônio da Santa Casa de Misericórdia local.

Ao término do conflito mundial, a Sociedade movimentou-se com o fim de obter a reintegração de posse do imóvel, desistindo após um insucesso decorrente de erro no procedimento jurídico adotado, ao dirigir a ação contra a Santa Casa de Misericórdia, quando deveria fazê-lo contra o Governo da União. Poderia ter prosseguido na contenda judiciária o que era desejo só de uma minoria, pois os desenganos dos anos de guerra, mais os novos ventos do país que se democratizava e, mais ainda as convivências de profissionais liberais, comerciantes e industriais, de um relacionamento harmônico e cordial com os brasileiros, determinaram o fim da questão e da sociedade dos imigrantes italianos. Era 1941. O mundo explodia com a Segunda Grande Guerra Mundial; Araraquara queria experimentar o sabor do progresso, contudo, apenas sonhava num tempo em que as cadeiras se esparramavam pelas calçadas nos fins de tarde.

O Restaurante Para todos altos da antiga Agência Chevrolet, de propriedade de um alemão vindo de Rio Claro, é que os jovens ouviam pelo rádio as notícias da guerra, outro ponto de encontro da cidade o Café do Centro, de Laurentino Monteiro já era final de tarde quando algumas pessoas discutiam o “aumento da taxa de consumo de água em Araraquara”.

Também nesta noite, logo depois da primeira sessão do Cine Paratodos, os jovens faziam o “footing”, defronte o Clube Araraquarense e o Teatro Municipal (hoje o Paço Municipal). As moças passeavam na calçada, mergulhadas na poesia de um olhar conquistador dos rapazes, entre as avenidas Itália (depois Duque de Caxias) e Portugal. Pelo menos outros 22 destes jovens (coincidência ou não), estavam apreensivos com outra situação: fundação de um clube social, que se identificasse com os costumes da juventude. Algum tempo antes, Laurival F. C. Mendonça havia conversado com o comerciante Affonso Lombardi, último presidente da Societá Uniti Italiani ou apenas Sociedade Italiana, pedindo emprestado o salão para a realização de brincadeiras dançantes.

A medida que o dia da Azevedo, saiam pela cidade nos fins de tarde distribuindo convites para as brincadeiras. Desta feita, a cessão de uma das salas tinha outro objetivo: reunir os jovens interessados na fundação da nova entidade. Lombardi até achou interessante a ideia. Seria um meio da Sociedade conservar o prédio que mais tarde ficaria cadeiras dançantes no Clube Araraquarense e Grêmio Recreativo 27 de Outubro. Mas, seria preciso intensificar a divulgação.

No sábado, 12 de abril de 1941, o locutor da “Araraquara Repórter das Explanadas”, José Mariottini fazia então o convite para que “os jovens prestigiassem da reunião do dia 16 no prédio da Sociedade Italiana. Da mesma forma, Marcondes Machado e Joffre David anunciavam a reunião foi chegando, a notícia sobre a nova agremiação estava espalhada pelos pontos mais movimentados da cidade: Papelaria do Totó Campana ao lado do Cine Odeon (hoje Veneza), local de frequência dos leitores dos jornais da época (O Imparcial e o Correio da Tarde), Bar Tamoio do Luiz Gonçalves da Silva e, há quem diga, que o assunto chegou a ser comentado no movimentado Bar e Restaurante Jeronymo, de Jeronymo Pires & Irmão, na rua Cruzeiro do Sul 97 B, Largo da Câmara, numa época em que o café era servido à mesa.

Sem a concorrência desenfreada da cerveja e outras bebidas alcoólicas, um cafezinho proporcionava horas de conversas. Monteiro, do Café do Centro, segundo consta, ouvia a conversa à respeito da agremiação e até apostava na ousadia do grupo. O próprio Prefeito Municipal Camilo Gavião de Souza Neves, que dois meses antes – 3 de fevereiro de 1941, assumira a presidência do Clube Araraquarense, julgou importante o aparecimento de outra agremiação com o objetivo de promover e fortalecer os laços de amizade da população.

O nome nasceu forte em homenagem à cidade. Pouco depois das 21 horas do dia 16 de abril de 1941, 22 jovens – Laurival F. C. Mendonça, António Salinas Azevedo, Amadeu Rebúglio, Alfeu F. Schiavon, Jovenil Rodrígues de Souza, Araldo do Amaral Arruda, Ricieri Cefaly, Romulo Cefaly, José Sargi, Mário Rodella, Américo Capaldo, Guerino Petrilli, João Moraes Silveira, Arif Sabino, Osvaldo Paiva, José Haddad, Hormélio de Arruda Pacheco, Francisco Amantéa, Mário Lupo, Jamil Frem, Ary Cera Zanetta e Zulmiro Catalani, se reuniram para fundar o clube, na Sociedade Italiana, avenida Portugal, 418.

António Salinas Azevedo, na época com 28 anos (faleceu em 16/12/69), foi eleito para presidir a reunião preparatória, escolhendo para auxiliá-lo Laurival Mendonça e Amadeu Rebúglio, que organizava o cerimonial das grandes festas da Refinadora Paulista, a pedido do Comendador Hélio Morganti.

Disse aos 21 companheiros presentes que “a nova sociedade recreativa por certo teria franco apoio do nosso mundo social, pois que, Araraquara merecia mais sociedades recreativas. “Depois de solicitar colaboração e argumentar que todos ali seriam considerados Sócios – fundadores, sugeriu a votação para dar denominação à entidade. A ata de 16 de abril de 1941 registra: “terminada a votação, a qual foi realizada por meio de cédulas – unitárias, distribuídas aos presentes, o presidente da mesa, seus auxiliares, e mais um fiscal convidado entre os presentes, realizaram a apuração, verificando-se que, por maioria de votos, a nova sociedade passaria a denominar-se Clube 22 de Agosto.” Após salientar a razão do nome “22 de Agosto” que seria uma homenagem à data de aniversário a cidade, Laurival lançou a ideia para que, cada sócio-fundador apresentasse dois novos associados, no mínimo, para o Baile Inaugural. Frisou que o clube precisava de um bom número e sócios para atender as despesas acarreta determinação: a título extra, os sócios-fundadores, pagariam em doação ao clube, mais uma mensalidade, cuja importância seria levada a conta das despesas contraídas com o primeiro baile. R. Schiavon que secretariava a assembleia, e o único casado do grupo, relata em sua primeira ata que “feitas as exposições sobre a fundação do Clube 22 de Agosto, elegeu-se a Diretoria Provisória, sendo escolhido Presidente – Laurival F. C. Mendonça.” Os demais cargos ficaram assim preenchidos: 1º Vice-Presidente: Antônio Salinas Azevedo; 2º Vice-Presidente: Amadeu Rebúglio; 1º Secretário: Alfeu R. Schiavon; 2º Secretário: Jovenil Rodrigues de Souza; 1º Tesoureiro: Araldo Amaral Arruda; 2º Tesoureiro: Ricieri Cefaly. Para o Conselho Fiscal foram escolhidos: José Sargi, Mário Rodella e Romolo Cefaly.

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