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Americano, rumo ao centenário

11/09/2018
Américo Brasiliense / SP
Jonas Bezerra
Foto: Divulgação

Fundado em 1921, o mais antigo clube da região ajudou a escrever a história do futebol amador

Embora hoje haja somente o Estádio de Futebol “Dr. Elias Leme da Costa”, localizado atrás do Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Américo Brasiliense, o que pouca gente sabe é que o Americano Football Club (quando surgira esta era a grafia do clube) é o mais antigo clube de futebol da região.

O time de Américo Brasiliense possui uma das histórias mais fantásticas do futebol regional. Fundado por imigrantes italianos que chegaram a então vila de Araraquara, no início do Século XX, o clube trazia as cores da bandeira italiana.

Até meados dos Anos de 1950, o seu primeiro campo de futebol ficava ao lado do prédio da Metalúrgica Brasiliense, hoje desativada. Foi nesta década que aconteceu o fato mais marcante em sua história.

Fusão com a Ferroviária

Conforme reunião que aconteceu em 14 de agosto de 1953, na sede do Cine São José, na Av. 9 de Julho, em Américo Brasiliense, entre os diretores do Americano e Ferroviária, teve como pauta a fusão das duas agremiações.

A razão da reunião era que a Federação Paulista de Futebol fez cumprir a norma de que para disputar a 2ª Divisão, os clubes teriam que serem filiados junto à entidade desde 1943. Depois de várias tentativas com clubes de Araraquara, a Ferroviária, criada em 1950, teve o apoio do Americano.

Na época, o então presidente Dr. Elias Leme da Costa – juntamente com os diretores José Camargo de Toledo Piza, Vito Barbieri, Caetano Nigro Sobrinho, Francisco Neves, Joaquim Justo e Carlos Abi-Jaudi – decidiram pela fusão.

De acordo com alguns trechos da ata da reunião ficou estabelecido que a Associação Ferroviária de Esportes desse o seu nome ao novo clube surgido da fusão, desaparecendo, conseqüentemente, o do Americano FC. Outro ponto era que a Ferroviária assumiria todo o ativo e o passivo do clube ameriliense.

Mas o assunto em pauta mais relevante foi a que a Ferroviária passou a ter o direito à inscrição do Americano junto à Federação o que lhe permitiu disputar a 2ª Divisão do Paulista.

A contrapartida foi que a Ferroviária, através da Estrada de Ferro doou uma área e construiu o campo do Americano hoje, com alambrado. E foi desta fusão também que surgiu a Torcida “Aférico”.

Uma nova história

Em 5 de janeiro de 1954, o Americano ressurgiu com as mesmas cores, a mesma força e com uma grande história no futebol. Benedito Nicolau de Marino presidiu a sessão de instalação da nova agremiação com os seguintes presentes: Joaquim Justo, Vito Barbieri, Francisco Neves, Miguel Ângelo Imbriani e Antônio Barbieri; Elias Leme da Costa, Vito Barbieri, Tércio Della Rovere, José de Camargo Toledo Piza, Dorival Barbieri, Basílio Quadrado, Geraldo Furlan, Salvador Romania, Jurandyr Bortollo, Antônio Pavan, Caetano Treve, Carlos Bortolli Filho, Erne Della Rovere, Bento Vieira, Luiz Rosa de Lima, Carlos Della Rovere, Evaristo Zen, Luiz Romania, Francisco Amaral, Ítalo Della Rovere, José Romania, José Roncalli, Augusto de Souza, Carlos Abi-Jaudi, Ernesto Tavares Carrilo, AchilleBortolli, Mário Coelho da Silva, Paschoal Antônio Nocce, Paulo Abi-Jaudi, Segundo Della Rovere, Rubens B. Leme Costa, João B. M. Ferraz, Rafael Festa, João Alves Carneiro, Antônio Cammarozano, Marcos Ginotti e Constantino Lahz.

Novas conquistas

Entre os Anos de 1950 e 80, o Americano conquistou vários campeonatos do Amador Regional. Foram feitos memoráveis e jogos relevantes com importantes clubes paulista – entre eles, o Palmeiras. Mas, de fato, uma conquista se sobressaiu nos Anos 70: a medalha de bronze na primeira edição da Copa Arizona de Futebol Amador 1974, conquistada no Estádio do Ibirapuera, em São Paulo, com toda a cobertura da Gazeta Esportiva.

Representando Américo Brasiliense, através da CME, o Americano conquistou o 3º lugar ao vencer por 3 a 1 o Vera Cruz, de Vila Prudente. Sob a arbitragem de Ricardo Salgado, o Americano jogou com: Leiva, Zé Roberto, Tuna, Ico e Joaquim; Gê Abi-Jaudi e Zé Carlos; Odair, Panelão, Tim Scanholato, Zé Vitor Barbieri e Zé Luiz. Gols: Zé Vitor Barbieri (2) e Gê Abi-Jaudi (eleitos os dois melhores em campo).

A competição reuniu mais de 1.024 equipes dos estados de São Paulo e Paraná. Ajax e São Carlos (Capital) foram o 1º e 2º colocados, respectivamente.

Eis aí um breve relato de um dos clubes de futebol mais tradicionais da região. Um clube que reuniu grandes nomes do futebol amador e profissional. Cabe aos atuais diretores responsáveis recomeçar a escrever sua história como ela sempre foi: a de um clube que elevou o nome da cidade, no esporte e nos eventos sociais que realizava por todos os lados.

Em conteste

- Há informações para se contestarem sobre a data oficial de seu surgimento, em 1921 – um ano após Américo Brasiliense se tornar distrito de Araraquara, no então governo de Washington Luís – sob a denominação inglesa de Americano Football Club.

A contestação se faz devido a um de seus principais jogadores, Luiz Bento Palamone. No site oficial do Botafogo do Rio de Janeiro, onde Palamone jogou no período de faculdade, após passar pelo clube paulista do Mackenzie, consta que o jovem atuou no Americano em 1916. Mais tarde, médico e também famoso, ele integrou à seleção brasileira campeã da Copa América de 1922.

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