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Bélier em "Apoteose final - o 500o poema"

03/05/2015
Araraquara / SP
Antônio Carneiro
Foto: Divulgação

Coincidência ou não, o fato é que o soneto abaixo ordena-se como o quingentésimo desde que estamos a transcrever na NET a nossa humilde homenagem poética de louvor à querida Ferroviária. E julgo que não poderia calhar melhor tal detalhe, eis que ontem a Arena da Fonte engalanou-se para a festa de entrega da taça conquistada pelos seus atletas, há tanto tempo esperada, 19 anos no total, em feito que logrou resgatar o orgulho ferido de uma família afeana que não se circunscreve nos limites da cidade e região de Araraquara, mas se acha espalhada por muitos cantos do planeta, justamente em razão de sua gloriosa história, construída ao longo de 46 anos de sucesso, desde a sua fundação em 1950. Destarte, foram 13.615 pagantes dar o seu testemunho ao último ato desta inesquecível peça representada em 19 atos, dez dos quais porfiados ali mesmo naquele palco da majestosa Arena da Fonte, onde a sua equipe permaneceu invicta, obtendo um total de nove vitórias e um empate, justamente o de ontem diante do tradicional Guarani de Campinas.

A partida em si decorreu bastante intensa, apesar de que ambos os conjunto nada mais pudessem obter do resultado final: o Guarani já afastado da luta por uma vaga no acesso e a Ferrinha já campeã há duas voltas atrás. O time campineiro armou-se defensivamente, como de prévio era esperado e com isso dificultou ao máximo as intenções afeanas de marcar a sua décima vitória em seus pagos. De registar, na primeira parte, um pênalti claro que ficou por marcar, cometido sobre o avançado grená Tiago Adan, aos 16 minutos, aos 24 um lance acrobático – a conhecida “bicicleta” – do mesmo Adan, pondo a bola sobre ameta “bugrina” e já aos 26 minutos um cartão amarelo para o guarda redes Neneca, do Bugre, que tão cedo praticava a conhecida “cera”, em atitude que bem definia as intenções dos visitantes.

Na segunda etapa do jogo, permaneceu o mesmo aspecto, a Ferroviária com a iniciativa das ações, sobretudo após a entrada de seu mais afamado atleta, considerado pela Federação Paulista de Futebol como o melhor jogador do torneio, o Alan Mineiro, aos 54 minutos, o qual veio dar mais intensidade ao ataque da equipe anfitriã. De ressaltar, aos 72 minutos, uma defesa simplesmente espantosa do guardião afeano Rodolfo, ao desviar no ângulo superior esquerdo de sua baliza a pelota, impulsionada por um livre superiormente marcado pelo conhecido avançado Fernando Fumagalli, que por sinal começou a carreira na Ferroviária.

Uma cena de cinema, que serviu para enfatizar de modo incontestável a valorosa colaboração que deu à equipe este categorizado “arqueiro”. A corroborar a afirmação de um sábio anônimo, que dizia: Uma grande equipe começa a escalar-se por um grande goleiro. E falava com razão. Recorde-se que logo ao primeiro compromisso, em Catanduva, no dia 2 de fevereiro – que curiosamente também terminou empatado a zero, ele pegou um pênalti.

Fez-se assim o embate até ao final, com a AFE a fustigar o último reduto do Guarani, mas a esbarrar em seu sólido sistema defensivo. Aos 89 minutos, ainda houve tempo para o Bruno Morais render o Milton Júnior e depois do apito final do árbitro despoletou-se a festa rija, tão merecida, dos adeptos grenás, costumamos dizer, dos escarmentados adeptos grenás, envergonhados, humilhados, sofridos por tantos anos de prestações menos conseguidas de seu clube, que esteve inclusive quase a fechar as portas, mas superou-se afinal e conseguiu regressar ao cenário principal no contexto futebolístico de São Paulo.

Tal como foi por cerca de 40 anos e que por muitos mais há de continuar a ser. Aos atletas, ao competente treinador Milton Mendes e sua equipe técnica, aos dirigentes, comandados pelo presidente Carlos Salmazo, homem de presença humilde, mas de atitudes firmes, aos órgãos de comunicação social, sobretudo à equipe dos Campeões da bola, comandada pelo incansável batalhador José Roberto Fernandes, a quem muito deve a Ferroviária este glorioso ressurgimento, a todos enfim que colaboraram para o êxito afeano, a nossa saudação e o nosso sincero agradecimento; e nisto nos pomos como os mais presentes nesse preito de gratidão, pois nós, que estamos distantes, não pudemos participar da grande comemoração junto à maravilhosa torcida grená, no estádio e pelas ruas de Araraquara, em cortejo que ficará gravado na memória de todos e na rica história do clube pelos tempos afora.

E assim sendo, ainda temos a vibração um pouco contida, o grito um tanto entalado na garganta; embora certamente tenhamos talvez ainda mais sentido a emoção que nos levou ao pranto incontido, às convulsivas lágrimas de alegria maior por este sonante e tão ansiosamente aguardado acontecimento.

Que fique cá registrado por este meio o comovido agradecimento de um adepto distante, a representar todos que assim se encontram, pelo mundo inteiro espalhados, a todos que colaboraram para esta nossa incomparável alegria.

E viva a AFE! Antes, agora e para sempre!

Apoteose final – o 500º poema!

Apoteótica festa, e merecida,
Fez celebrar, com ânimo inaudito
Na Arena da Fonte a um só grito
Superior conquista uma torcida

Que despiu-se da indumentária urdida
Por muitos anos de revel conflito,
Humilhada e de coração contrito
Na andrajosa oficina da desdita

Para ostentar um traje engalanado
Com que reviu do orgulho já vivido
O fausto haver de um célebre passado

De cujo esplendor tornou sentido
No âmbito do feito conquistado
Que jamais dar-se-á por esquecido.

 

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